Lucia Koury

Lucia, profissão: editora

Trabalhei quase 30 anos na IBM. Mais da metade desse tempo na área de Comunicação onde vivi situações bem interessantes. Entre elas, escrever um release para imprensa – na época, informática era um apêndice de economia – de maneira que os jornalistas, os leitores e eu mesma conseguíssemos entender o que era software, hardware e ligação PC-servidor (chamava-se micro-mainframe).

A outra situação inesquecível foi passar uma noite editando um vídeo na casa do produtor do Elvis Presley, em Las Vegas. A esposa dele, ele e eu tralhando numa ilha de edição do tamanho de uma mesa de jantar pequena.
Um drama foi quando sumiram da minha mala de mão os únicos registros fotográficos que Almir Klink havia feito em sua primeira viagem à Antártica. Mas, calma! consegui resgatá-los.

Então, essa vida na multinacional foi de muito trabalho mas também de históricas engraçadas e experiências únicas.

Na virada do século achei que teria novas e boas aventuras fora de lá. Saí aposentada, com um salário pela metade e minha caçula com 10 anos.
Pensei que sabia editar porque era isso que eu tinha feito durante muitos anos na IBM. Editava três revistas, editava vídeo, editava textos pro presidente e diretores falarem. Enfim, para mim, isso não tinha mistério.

O sonho era criar uma editora cuja linha editorial fosse música: a vida dos compositores, intérpretes, song books, tudo relacionado à música. Uma noite, na hora do jantar, meu filho, João, teve uma ótima ideia para o nome: Outras Letras já que o foco não seria literatura.

Inaugurei a editora com o lançamento do meu livro de crônicas, contos e poesias, com um grande e alegre coquetel na Casa Laura Alvim, em 2001.
Comecei uma vida totalmente nova. Sem a verba de milhares de dólares que eu tinha na IBM, criei e editei – de 2002 a 2009, a house organ da White Martins no Brasil e da Praxair na América do Sul, e realizei vários projetos editoriais para grandes e médias empresas. Ah, fui diretora da Libre durante uns três, quatro anos, período em que coordenei a Primavera dos Livros – Primavera Literária nos jardins do Museu da República.

Tem mais coisa. Tem muito mais coisa. Mas acho que assim, já dá pra sentir o gostinho.

Ah! Quero acrescentar algo: editar livros é uma atividade maravilhosa. Faço-os com carinho, cada um como se fosse o primeiro e único.

Desejo que ao ler um livro da Outras Letras você saiba que, em sua produção, houve uma equipe unida – o/a capista, o/a designer que faz o projeto gráfico e a diagramação, a/o revisora/o, a editora, a/o ilustrador/a, a jornalista responsável pela divulgação, além do/a autor/a, é claro, e muito amor envolvido!